Resenha: As Vinhas da Ira de John Steinbeck

Foi com a finalidade de preparar uma análise e um seminário em grupo durante minha graduação, que conheci e li o romance As Vinhas da Ira publicado em 1939 e escrito por John Steinbeck (1902-1968). Porém confesso que inicialmente tal tarefa não me agradou, pois dentre as obras sugeridas e sorteadas pela professora, eu pessoalmente desejava muito desenvolver um estudo sobre Jerome David Salinger (1919-2010) e seu romance O Apanhador no Campo de Centeio, o qual eu lera na adolescência e muito apreciara.

Todavia, após concluir a leitura de As Vinhas da Ira, fui tomada por uma enorme comoção pelos personagens e pelo enredo, os quais foram usados como instrumentos para apresentar uma simples, porém bela lição de vida: a luta pela sobrevivência mesmo em condições desesperadoras, embasada na importância dos valores da união familiar e de auxiliar ao próximo, através principalmente do respeito e da dignidade não apenas com nós mesmos, mas com todos os outros seres humanos.

Através de uma grandiosa maestria como autor, John Steinbeck conseguiu transmitir de forma muito clara a exploração e o drama vivido pelos arrendatários de terras de Oklahoma nos EUA no início da década de 30.

Apesar de estarem habituados a lidar com o fenômeno climático que eram as grandiosas tempestades de areia, também chamadas de Nevascas Negras (este fenômeno foi resultado direto da ação do homem sobre o ambiente e atingia as grandes pradarias dos Estados Unidos, espalhando o desespero e o caos por onde passavam na forma de enormes nuvens negras de poeira) os arrendatários não estavam preparados para o ávido capitalismo, que lhes expulsariam das terras onde moravam.
 
Assim, estes moradores das regiões rurais que viviam de forma tranquila sem patrões e produtores de seus próprios alimentos, se vêem de repente frente a um futuro incerto, cercados pela exploração injusta do trabalho, a qual era praticada pelas mãos e pela intransigência dos próprios seres humanos, além de sofrerem com a falta de uma moradia (ainda que modesta) e do alimento diário necessário para sobreviver. Tudo isso, ocasionou-lhes uma devastação não apenas física, mas também moral.
 
A leitura deste romance despertou-me uma sincera compaixão pelas dificuldades dos trabalhadores imigrantes e uma grande admiração pela força de vontade, caráter e a coragem com que estes lutavam para conseguirem viver e não perder seus valores humanos até o fim de mais um dia de dificuldades e provações. Ao retratar as dificuldades de um povo sofrido e miserável, John Steinbeck me fez repensar meus próprios valores dentro da sociedade e minhas atitudes e queixas perante a vida.        

3 comentários

  1. Esta postagem ficou linda! Já falei antes e falo de novo.. vc deveria ser professora de literatura!!

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    1. Oi Evelene, obrigada!Vontade não me falta, porém acho que ainda preciso me aprimorar mais e fazer a pós-graduação em Estudos Literários. Um super beijo!

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  2. Oi Idianara. Reli ontem esse magnífico artigo e acabei me inspirando e publiquei três contos que tinha escrito a tempos. Gostaria que lesse e desse sua opinião, por favor. Beijo e sucesso! Aliás, podíamos tentar uma Pós em Literatura e Crítica literária, o que acha?

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