O Mercador de Veneza


A peça O Mercador de Veneza de William Shakespeare, possui como pano de fundo a Itália do século XVI e é neste panorama que se desenvolve o drama do mercador chamado Antonio, o qual motivado pela necessidade do amigo Bassânio (este precisava de dinheiro para viajar até a cidade de Belmonte e pedir em casamento a jovem chamada Pórcia) solicita um empréstimo ao judeu Shilock, penhorando 1 libra de sua própria carne, caso não conseguisse pagar a divida.
              
Entretanto, certas adversidades impedem o mercador de pagar o empréstimo e desta forma, o agiota passa a cobrar-lhe de maneira resoluta o pedaço de carne independente do mal que esta ação pode causar a integridade física de Antonio.

Pintura de Leonid Afremov
A peça aborda temas variados como: a amizade, a religiosidade, o preconceito, a lei, a vingança, a piedade, a justiça, a plenitude do amor, entre outros. Mas ao concluir sua leitura, o assunto que considerei marcante foi a justiça.

Em relação à justiça cabe citar principalmente o judeu Shilock, o qual almejava alcança-la defendendo a dignidade de seu povo e de sua religião que constantemente sofrem atitudes preconceituosas pelos venezianos cristãos. O excerto a seguir faz parte de um discurso que ele proferido por ele:

“(...) Sou um judeu. Então, um judeu não possui olhos! Um judeu não possui mãos, órgãos, dimensões, sentidos, afeições, paixões? Não é alimentado pelos mesmos alimentos, ferido com as mesmas armas, sujeito às mesmas doenças, curado pelos mesmos meios, aquecido e esfriado pelo mesmo verão e pelo mesmo inverno que um cristão?”

Inicialmente nutri certa antipatia por Shilock e o julguei portador de um caráter perverso, por insistir em cobrar a libra de carne de Antônio. Porém com o desenvolvimento da peça, percebi que sua personalidade e suas atitudes forjaram-se através das maldades que ele sofrera ao longo de sua vida.

Al Pacino como o judeu Shilock no filme O Mercador de Veneza (2003)
A presença da justiça na obra é envolvida por dois aspectos conflitantes: o desejo de vingança e cumprimento pleno da lei por Shilock e a busca pelo perdão e a piedade, desejada por todos os amigos e simpatizantes da causa de Antônio que tentam através de esforços infrutíferos, inculcar no judeu o sentimento de piedade e tolerância.

Enfim, O Mercador de Veneza nos faz refletir sobre os valores sociais que utilizamos em nosso dia-a-dia e até onde nossas opiniões e nossas razões estão realmente corretas e dignas, para serem aplicadas às outras pessoas, sem que essa ação seja deturpadora da justiça e do bem estar não apenas nosso, mas de toda a sociedade.

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