Resenha: O Amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marquez


"...ele pôs o chapéu em cima do coração, trêmulo e digno, e arrebentou o abscesso que tinha sido o sustento de sua vida:
- Fermina – disse - esperei esta ocasião durante mais de meio século, para lhe repetir uma vez mais o juramento de minha felicidade eterna e meu amor para sempre."
(O Amor nos tempos do cólera - pág. 68)

É a partir desta frase do personagem Florentino Ariza, que somos lançados à trama do amor que envolve e permeia (em suas mais variadas facetas) toda a obra O amor nos tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquez

Amor inicialmente não correspondido, em seguida recíproco, secreto e desmedido como uma adolescente que desesperada por um amor proibido corta seus cabelos em trança e os dá a pessoa amada. Assim no decorrer do romance, vemos este sentimento ser proclamado aos quatro ventos de forma corajosa e inabalável.
Há o amor! Que tantas vezes é descrito, vivido, sentido, sofrido e até enlouquecido, mas nunca até esta obra, nos foi apresentado de maneira tão sublime e duradoura capaz de enfrentar a passagem do tempo e ainda assim conseguir manter - se intacto pelos anos afora. 

Quando percebi, também eu estava envenenada pela flecha perene do amor! E assim como Florentino Ariza, fui tomada por um infinito desejo de escrever uma carta que fosse única e dedicada a todos aqueles que haviam descortinado em suas vidas a presença do amor através da leitura de O amor nos tempos do cólera. E com esta ânsia em meu coração, tentei ultrapassar as barreiras do pensamento, trocar o desejo pela ação e subtrair do meu ser uma carta que construisse uma ponte entre a obra e o leitor, entre as personagens e a nossa realidade. 

Esta carta seria redigida com a nobre intenção de esclarecer que após encontrarmos o verdadeiro amor nosso coração finalmente alcança a paz e até a ideia de morrer já não deveria nos amedrontar mais, pois é como se tivéssemos cumprido nosso destino e justificado nosso viver. Enfim, após o verdadeiro amor, já podemos até morrer.

Entretanto também mencionaria que a vida irrompe e é um constante recomeçar capaz de escoar a ampulheta da velhice e nos conduzir aos sonhos e desejos mais desmedidos da juventude. Esta carta seria espelhada tristemente em Florentino Ariza que louco como um ultrarromântico, bebia diariamente o aroma de sua amada nas pétalas das flores que mastigava durante as altas horas de suas sofridas madrugadas.

Enfim, talvez esta carta iria acalentar os corações sofridos e os encantar com a doce arte da palavra vestida de amor. E eu terminaria suplicando a todos os corações que coexistem neste mundo, que leiam com entrega e redenção o livro O amor nos tempos do Cólera, para que assim como Florentino Ariza sejam inundados pelo desejo de escreverem longuíssimas e incomparáveis cartas de amor.
Sinopse: O jovem Florentino Ariza se apaixona perdidamente por Fermina Daza e envia para ela inúmeras cartas de amor que vão aos poucos conquistando o coração da moça. Entretanto o pai de Fermina, Lorenzo Daza, considera o rapaz indigno de sua filha e com o intuito de separá-los envia Fermina para morar com alguns parentes que viviam bem distantes de Cartageña (Colômbia) cidade na qual moravam. Apesar do tempo e da distancia, Florentino espera apaixonadamente pelo retorno de sua amada, porém, quando ela finalmente regressa e eles se encontram, ela rejeita-o e diz que não sente por ele mais nada. Algum tempo depois ela casa-se com o médico Juvenal Urbino deixando Florentino arrasado. Ele então acaba se envolvendo em inúmeros relacionamentos efêmeros, enquanto espera uma oportunidade para lutar pelo seu eterno amor:Fermina Daza.
 *Pinturas de Leonid Afremov

Dicas:

Filme
Em 2007 o livro foi adaptado para o cinema e possui em seu elenco Javier Barden como o personagem principal Florentino Ariza, Giovanna Mezzogiorno como Fermina Daza e nossa ilustre Fernanda Montenegro que interpreta a mãe de Florentino. Apesar de não conseguir transmitir toda a magia e o universo formidável criado por Gabriel Garcia Marquez em sua obra,vale a pena assistir.



Trilha Sonora
A belíssima trilha sonora do filme, foi criada pelo compositor brasileiro Antônio Pinto (Cidade de Deus) e conta com a presença da cantora colombiana Shakira, a qual foi convidada pelo próprio Gabriel Garcia Marques para interpretar três canções: Pienso em Ti, de seu álbum de estreia Pies Descalzos (1996), Hay Amores (que é um doce bolero) e La Despedida, estas duas últimas foram criadas especialmente para o longa-metragem. A cantora Shakira foi uma ótima escolha, pois conseguiu transmitir todo o conflituoso amor que permeia a obra. 


Vídeos:
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Trailer legendado do filme
  
 
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                                        Clipe da música Hay Amores


                            

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