Canção da voz em mim - Lya Luft


O poema abre suas câmaras de sombra:
é o tempo secreto,
vai brotar agora mesmo a
palavra exata,
a chave da minha ideia
a moldura de minha alma
desencontrada.
Não sei a forma das palavras
Nem o ritmo dos sons, mas o
Que tenho a dizer
quer nascer de mim e se
retorce.

Sento-me diante do silêncio
como junto de meus mais
belos sonhos:
meus pés, minhas mãos, os
meus cabelos
estão enredados nessa teia.
Quero sair, escapar e esquecer.

Mas o poema insiste
com a mesma sedução da
minha infância:
com formas, cores e rumores
da trama de viver e de morrer.

* Pintura de Vicente Romero Redondo

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