Lançamento da obra: A Noite Continua Num Gole de Cerveja - Marcelo Gaspar de Souza

Olá Pessoal!

Aqueles que acompanham meus posts, já devem ter notado que adoro poesia! E como admiradora desta arte, não poderia deixar de convidá-los para o lançamento da obra A Noite Continua Num Gole de Cerveja, que marca a estreia de Marcelo Gaspar de Souza, amigo e poeta, no universo literário. 


Sobre o autor:
Nascido em 1983 e natural do sopé da Chapada Diamantina, Iraquara/BA, o autor é radicado em São Paulo. Estudou Turismo Receptivo no IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de SP), também é graduado em Informática para Gestão de Negócios, pela FATEC/SP. Marcelo Gaspar de Souza, já participou de antologias de poesias e contos e publicou textos em revistas eletrônicas dedicadas à literatura.



Sobre a obra:
O livro retrata a boemia paulistana, seus entraves, dissabores e sobretudo as relações humanas. Por este motivo, o autor escolheu fazer o lançamento de sua obra no espaço Brooklin Coletivo, ambiente que une arte, música, design e um ótimo cardápio, incluindo as saborosas cervejas artesanais nacionais e importadas. 


A seguir apresento-lhes duas poesias cedidas pelo autor:
Rum cubano
O quadro torto, quase caindo da parede,
O relógio velho já não faz tic tac,
A casca seca, no canto escuro, atrás do rack,
             [simbolizando o que já foi uma barata,
                                     [assassinada pelo tédio,
O litro quebrado de rum cubano (que não
    [tomei), seus cacos ainda em cima da pia,
O cinzeiro com cigarros amassados, nunca
                                                                  [acesos,
O revólver na gaveta de meias, sem
          [munição, enferrujando minha memória,
Meus cabelos brancos insistem em manter
                     [minha cara ainda mais decrépita,
Os dentes amarelados pelos cafés de uma
                   [vida inteira de insônias e agonias,
                   [transcendem o fígado calejado de
                                                    [cachaça barato. 

As feridas corroem o pé esquerdo:
- Maldita diabetes!
Os vermes alimenta-se das sobras de
             [comida deixada na panela queimada,
                   [em cima do fogão fragmentado-se
                                                          [em ferrugem,
O cheiro forte do gás, ligado pelo demônio
                                   [em minh'alma, já absorve
                           [o que me sobrou de raciocínio
O corpo enfraquece.

Um sorriso manchando interrogações,
Uma última música toca no amargo peito:

     "(...) Mas não tem revolta não
     Eu só quero que você se encontre
     Ter saudade até que é bom
     É melhor que caminhar vazio (...)"



***
Os discos empoeirados que não tenho mais
Os livros abandonados, fora de ordem,
Na velha estante (que não está comigo)
As poesias que escrevi para você
                                               [em papel almaço,
Desbotam na lixeira que foi embora
                                            [com nosso chih tzu,
                               [já cego e cheio de tumores
Ficou apenas o céu estrelado, noite fria
Cigarro e uísque,
Na rua, transeuntes que me ignoram
Num canto sujo de uma calçada qualquer
Do centro da cidade.

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