Um encontro fugaz - Idianara Lira Navarro

Destino. 

Eis o sagaz manipulador de nossas vidas, pois nunca sabemos quais são as regras, intenções, desejos e objetivos que o cercam, a única certeza é que cedo ou tarde ele mostrará sua face e irá interferir em nossos caminhos. Para ele até os mais sombrios segredos que tentamos ocultar, nos recônditos profundos e secretos de nossa alma, nunca ficam verdadeiramente submersos.

Eram exatamente tais pensamentos que lhe afligiam a mente e o coração, enquanto ela tentava se convencer de que o homem que se descortinava poucos passos a sua frente, não era o mesmo que em um passado recente, ela de maneira tão sublime amara.

Inicialmente ela buscou se persuadir de que com certeza se enganara, afinal mais de 13 anos se passaram desde a última vez em que se viram e após tanto tempo era certo, que a fisionomia dele em sua mente deveria estar desgastada como uma foto antiga, de traços pálidos e contornos desbotados, entretanto, perversa era a realidade que nele agora se personificara.

Ela então, passou a caminhar lentamente, para poder observá-lo à distância de uma maneira discreta e indiscutivelmente afetuosa. Quase sem perceber um forte ímpeto foi apoderando-se de seus desejos e assim como outrora, sentiu uma abrasadora vontade de lhe despentear os cabelos, tocar a nuca, acariciar a linha forte do queixo e depositar um breve beijo no contorno de seus lábios.

Lembranças. 

Todas emergiram e lhe causaram um turbilhão venenoso de emoções. Seu coração se tornou descompassado e assumiu um ritmo tenebroso como um Noturno de Chopin. Neste momento, porém, o cruel Destino que causara as desventuras e fatalidades na vida de ambos, embevecido pela possibilidade de novamente atormentar tão tristes almas, decidiu reencontrá-las e então no instante em que ele relanceou sobre os ombros, foi que seus olhares dois eternos amantes, uniram-se de forma quase indissolúvel...

*Ilustração de Charlie Bowater


Valentina Lisitsa tocando Chopin - Noturno Op.9 N.º.2

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