Resenha: O que sai da mente de Henrique Garcia


"O poema, o simples olhar e o pensar, onde  a natureza se exalta e bebe o céu do nosso ser, faz nos ver a liberdade do nosso querer." (Henrique Garcia)
Olá leitores!

Hoje trago para vocês um livro que com uma pitada de poesia, reflete os pensamentos, reflexões e experiências de seu autor, é a obra O que sai da mente do autor Henrique Garcia publicado pela editora All Print e comercializado em várias livrarias.

Sobre a obra:
O que sai da mente, o que sai da alma, o que vem à mente, o que reflete o Ser sejam talvez as conceituações mais próximas da prosa poética desenhada pelo singular eu lírico, “narrador”, de Henrique Garcia. Extravasamentos, impressões, exatidões, dor, culpa, remorso, amor, desprezo, desesperança e esperança, paradoxos constantes de toda uma vida são os trilhos pelos quais caminhamos ao longo dos versos proseados de um autor despretensioso, que se lança corajosamente desnudo aos olhos do seu espectador ao revelar e se revelar numa linguagem despudorada de formalidades, vícios, memórias, sentimentos, motivações e esperanças, manifestando sob todos os tons, ora colorido como o arco-íris, ora em preto e branco do cotidiano, as metamorfoses da vida.
A escrita de Henrique Garcia se move a partir do fluxo e refluxo das reminiscências que expurgam não somente as cicatrizes do tempo, como também os pudores da linguagem e da alma, sem qualquer juízo de valor. O que sai da mente revela um eu lírico que encanta, encanta-se e se desencanta enquanto vive entre as linhas e nas entrelinhas. É a vida pulsando a cada folhear de página do diário não linear e atemporal registrado.
O que sai da mente está além do alcance da crítica contemporânea, pois ultrapassa as fronteiras da teoria e da prática linguística e seduz o leitor a se reconhecer entre os versos, traçando intertextualidade com a Vida. (Raquel Cristina dos Santos Pereira - Prof.ª Doutora em Literaturas Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa - UFRJ)


Minha opinião:
Apesar de ser escrito em linguagem coloquial, inicialmente achei a leitura deste livro difícil, era como se as palavras simplesmente tivessem saído da mente do autor e colocadas de forma desordenada no papel. Várias passagens eu li e reli para tentar compreender melhor a mensagem que ele queria nos passar, até que um dia refletindo no ônibus sobre a obra, percebi que assim como o título nos diz, os textos eram fragmentos do fluxo de idéias e pensamentos de Henrique Garcia, embasados em sentimentos variados que ocorreram em situações distintas durante suas experiências de vida.


Com este raciocínio em mente, voltei a leitura com um novo olhar e assim tudo fluiu. Em alguns trechos é nítido que o autor enfrentava um fluxo de ideias tão intensas, que foi difícil casar seus sentimentos com a razão para colocar no papel tudo que ele sentia. Ou seja, dosar a forma da coesão e coerência em um texto, quando somos tomados de roldão por uma avalanche de emoções, é um trabalho árduo, que muitas vezes não consegue alcançar a compreensão dos leitores que não viveram as mesmas experiências do autor.

Em vários momentos, me senti como se eu estivesse ultrapassando o limiar entre o mundo real e invadindo o universo particular de alguém que vivera de forma livre e intensa, características que permeiam também sua escrita. Além disso, confesso que senti falta em algumas passagens, da presença de vírgulas para conseguir respirar e absorver aquilo que eu acabara de ler, era como se o autor quisesse nos inundar com suas palavras e sensações:

Reagir ao temperamento obstinado e confuso o ar respirando com emoção a tempestade que surge do norte o perigo em alto mar su­blime e rasante o pensar o querer demais o sublime o real dos reais o coma o plano bem executado além do amor infinito a sorte nunca alcançada o mago das ideias com plantas lindas da memória
A LOUCURA A INSANIDADE JÁ PRESAS NA MENTE, CO­LADAS E RASGADAS COMO UM PAPEL
O que sai da mente (trecho do livro)


Vários temas estão presentes no livro como por exemplo: medos, superações, amores, fé, dores, paixões, sofrimentos, aprendizados, esperança, valorizar a vida e o presente, entre tantos outros. A cada virar de página é uma surpresa que nos aguarda através de poemas distintos e separados em sua maioria por data. Enfim, conforme menciona Mara Fernandes Maranhão (UNESP/UNIFESP) no prefácio do livro:

Da leitura da obra pode-se esperar paixão, liberdade criativa e um universo próprio. Os poemas fluem na associação livre de imagens pelo discurso descontí­nuo e sem compromisso com as convenções ou linearidade. No entanto, os poemas também trazem o toque da esperança e da leveza de quem procura consolo na natureza e na fé. 

Abraços! 

Nenhum comentário