Resenha: Pollyanna de Eleanor H. Porter

"Em tudo há sempre uma coisa capaz de deixar a gente alegre; a questão é descobri-la."
(trecho do livro Pollyanna)

Olá leitores!

É com imenso contentamento, que compartilho com vocês esta resenha sobre uma obra tão terna, bela e doce, que me encantou quando ainda era uma menina. Nestes últimos dois dias, decidi relê-la para ver quais sensações e sentimentos me traria e também porque almejo ler sua continuação, a qual, estava guardada faz muitos anos, mas agora que finalmente montei minha biblioteca, pude resgatar todos os meus tesouros que se empoeiravam em caixas. Falo do livro infanto juvenil lançado em 1913 Pollyanna de Eleanor H. Porter, que quase me faz verter lágrimas aos olhos apenas por mencioná-lo.

Sobre a obra:
Totalmente órfã, a menina Pollyanna tem onze anos quando é acolhida por sua única parente viva: a
tia materna Polly Harrington que é rica, intransigente, e destituída de carinhos e apegos. Ela decide aceitar a sobrinha apenas como o comprimento de seus deveres sociais. Já Pollyanna, é o oposto, totalmente afetiva, nunca se contém quando está feliz e sempre demonstra seus sentimentos e suas alegrias das mais variadas formas. 

Dotada de um caráter encantador, a menina tagarela que sempre é sincera e adora dar carinho e atenção, acaba conquistando todos que estão a sua volta, através de sua infinita alegria de viver e paixão pelo otimismo, mesmo frente as situações mais estarrecedoras. Além de tudo isso, é através de seu “Jogo do Contente”, que ela ensina a todos que na vida ninguém perde, basta saber olhar e encontrar os motivos pelos quais podemos estar contentes. Assim, a obra que só foi lançada no Brasil  em 1934, após ser traduzida por Monteiro Lobato, permanece como um sucesso singular, mesmo após mais de cem anos de seu lançamento.

Minha opinião:
Impossível não considerar estar obra atemporal e extremamente encantadora! Pollyanna em suas 180 páginas, é como uma lufada de ar fresco em um ambiente abafado, é a luz que adentra pela janela e ilumina a casa toda, é um pedaço de arco-íris que decide visitar o leito de um enfermo, é a alegria de viver brotando no coração dos desesperançosos, é o otimismo, a bondade, a doçura e inconfundivelmente o amor, personificado nas atitudes e palavras desta doce personagem. Através dela e de seu "Jogo do Contente" que ela pratica o tempo todo, obtêm-se vários ensinamentos que evocam a importância de valorizarmos o que temos e o que somos:

- Quando a gente não está acostumada a uma coisa aprecia mais, não é? Foi como quando saíram da barrica aquelas fitas de amarrar o cabelo, tão lindas depois de terem saído umas feias, velhas, já sem cor. 

 - Sim, muletas. Eu queria uma boneca e papai havia escrito que a mandassem, mas
quando a barrica chegou, não havia boneca nenhuma dentro e sim um par de muletinhas para criança. Foi então que o jogo principiou.
- Mas não estou vendo nenhum jogo nisso, disse Nancy quase irritada.
- Oh, o jogo é encontrar em tudo qualquer coisa para ficar alegre, seja lá o que for, explicou Pollyana com toda sua seriedade. E começamos com as muletinhas.
- Eu não vejo como se possa ficar alegre de encontrar muletas em vez de bonecas. Não entendo.
(...)
- Sim. Fiquei alegre justamente porque não precisava delas, gritou Pollyanna exultante.
Veja como o jogo é fácil, quando se sabe.

- Doutor Chilton, eu acho que ser doutor é a melhor coisa do mundo.
O médico voltou-se surpreso.
- A melhor, quando a gente só lida com os sofrimentos da humanidade?
- Sim insistiu a menina; a melhor porque cura esses sofrimentos e por isso um médico deve ficar mais contente do que todas as outras pessoas, eu penso.
Os olhos do doutor encheram-se de lágrimas. Era ele um solitário, sem mulher e sem outro lar que não suas salas num hotel. Ouvindo as palavras de Pollyanna e vendo-lhe no rosto aquela infantil expressão de ternura bondosa, sentiu como se uma mão amiga houvesse pousado em sua cabeça, para abençoá-lo.

Em várias passagens me surpreendi meneando a cabeça positivamente e sorrindo ao ler as soluções
encontradas por Pollyanna para que um personagem aqui e acolá alcançasse o tão famoso contentamento. Maravilhoso também é notar a educação e o respeito com que ela trata todas as pessoas, independente de qualquer circunstância, demonstrando insistência em ser gentil até quando seu interlocutor não queria dar-lhe atenção e conseguindo desta forma transformar a vida de muitos.


Enfim, Pollyanna assim como a própria obra menciona, é uma dose de tônico que todos deveríamos tomar para termos ânimo e abrir os olhos ante a beleza que existe em nós e no mundo. Eu mesma já tive vários momentos bem depressivos em minha vida e após reler o livro e refletir sobre estas situações, vejo que talvez dei-lhes proporções maiores do que mereciam. Então digo-lhes enfaticamente: leiam este livro, sei que a opinião pode ser algo bem divergente entre as pessoas, mas tenho certeza que até aqueles que não se apaixonaram pela obra, se sentirão ao menos acolhidos por Pollyanna e tentados a colocar em prática o jogo do contente.😉💗

O que as criaturas querem é encorajamento. Em vez de censurar constantemente os defeitos dum homem, falai às suas virtudes. Procurai tirá-lo da senda dos maus hábitos. Sustentai, fortificai o melhor do seu eu, a parte boa que não ousou ou não pode ainda manifestar-se. A influência dum belo caráter é contagiosa, e pode revolucionar uma vida inteira...

Boa leitura à todos!

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