Poema: A Grande Jornada (2.ª Parte) - Gonçalves Reis


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Alguns, infelizmente, desistiram,
Não nos disseram nada... Partiram;
Abandonando sonhos e desejos –
E cancelando abraços e beijos –,
Porque não conseguiram lá chegar...
Caíram e não quiseram mais tentar;
Que tal agora uma elucubração?
Para tirarmos uma conclusão:
Que tal olharmos tudo à nossa volta?!
Quanta tristeza, angústias e revoltas,
E, mesmo assim, a vida continua...
O que seria da noite sem lua?
Uma tremenda e triste escuridão,
Depreciativa – dura depressão,
Vejamos o exemplo da floresta:
Vêm chuvas, vem queimadas – inda resta
No ventre dessa terra –, as sementes;
Que brotarão felizes e contentes.
Uma árvore cortada brota forte –
Pois corajosamente, enfrenta a morte -,
Quer dar flores, frutos – nunca desistir;
Se estranho está o dia, o sol não deixa de sair,
A noite pode até chegar escura –
Sem vida, sem nenhuma formosura.
Mas vem chegando a bela madrugada,
Saudando, co’esperança, a alvorada –
Que vem para nos dar a aurora boreal –,
Que nasce todo dia, mas nunca é igual.
Quem sabe pode ser manhã de inverno –
Daquele congelado e tão terno –,
Nem mesmo assim, é triste a manhã
A névoa matutina e muito élan –
Tem cheiro e gosto doce de laranja,
Nos galhos passarinhos’stão na manja,
Brindando a todos nós c’uma canção –,
Que vem como remédio ao coração
E, claro, com’um bálsamo na alma.
O orvalho brilha muito junto à palma –
Que traz o prisma raro d’arco-íris –
Não há quem não admire e não delire
Tão grande – grande – show da Natureza –
Um misto de mistério com beleza;
Mas isso, como sabes, é pequeno,
Vejamos o crepúsculo sereno:
Dourado azul vermelho alaranjado –,
Que cores! Que textura! Que bordado!
Que pedra rara! – Perla d’Oriente,
Que o Ser divino dá-nos de presente...

(Continua)


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