Poema: A Grande Jornada (6.ª Parte) - Gonçalves Reis


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Talvez pr`um verso belo – verso rico,
Não é bom saber… – como é que me explico,
Um verso pobre – verso livre – solto –,
Às vezes é mais forte do qu`um douto,
E rimas raras, ricas – do Parnaso –,
Que quando escreve pensa: “Que arraso!”
No fundo pensa bem: “eu não sou nada”
Que versos tão banais na madrugada;
Que tanto oportunismo infeliz
E nada, agora, tem mais diretriz,
Os salmos, os provérbios – ricos enfim,
São belos, são divinos – sim são sim!
Lamentações, cantares e o de Jó,
Incomparáveis gênios – hoje pó,
Mas lá, na gran cidade, nós veremos
Discípulos, profetas – tão amenos,
Escreveremos lá muitas histórias –
Não mais com finais tristes – ou sem glórias,
As músicas serão encantadoras
As notas mais serenas – sedutoras –,
Trarão mais paz de espírito – que paz,
Não mas vida agitada – sim não mais,
Também sedentarismo, nem stress,
O corpo transformado, a cor da tez,
Serão mais vigorosos – encorpados,
Sorrisos e abraços como agrados,
Vão ser mais que comum – preconceito,
Pois todos estarão sem um defeito,
As amizades puras – verdadeiras,
Serão sinceras, sim, – vidas inteiras,
Sem briga, fome, pestes nem doenças,
Será, sera mui bom tantas presenças,
E todos falarão: “Valeu a pena!”
Cidade de ouro e prata e muitas gemas: 
Cristais, opalas, ônixs e pérolas, 
A verde mata jade – também cérulas,
Darão-nos sombras frescas – frutas doces,
A brica – sem mistério ou sem ou-se,
Não mais trarão lembrança enterradas,
Palavras doloridas ou malvadas 
Apenas paz – também tranquilidade,
Bem forte bem falaz felicidade,
Que bom amigos – sermos bons amigos,
Nos maus momentos, termos bons abrigos;
E, sempre estarmos juntos – sempre unidos,
Teremos um futuro garantido, 
Oh! Sendo lutadores e honestos,
E não enganadores vis funestos,
Oh! vamos, meus amigos repensar
Pra começarmos hoje caminhar…

(Continua…)


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