Poema: Maquinários - Gonçalves Reis



Ilustrações de Leonardo da Vinci

"Entre maquinismos e afazeres úteis!
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Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, cavar,
Engenho, brocas, máquinas rotativas,"
(Pessoa/ Álvaro de Campos)
Bem- vindos maquinários! Sejam bem-vindos!
Celebro as máquinas modernas
O avião que alça os céus com seu orgulho
E o metrô com sua velocidade toda
Benditos sejam aparelhos telefônicos
Computadores,
carros, 
dvds...

Sejam bem-vindos raio-x que mostram através do corpo
E o relógio - amigo do tempo,
A sofisticação dos automóveis
Sejam bem-vindos embarcações e submarinos...
e notebooks,
e a internet,
a fibra ótica
a máquina de lavar - que libertou amélias,
a filmadora e a máquina fotográfica

Bem-vinda era dos Maquinários!...
E os satélites a transmitirem tudo
Sejam bem-vindos milagres mecânicos que facilitam tanto a vida alheia,
Mas...
Qual radar é igual a do Morcego?
Que avião mais belo que a Águia?
E com qual bússola os equinos se guiam?
Quem colocou a intuição no cão?
E a luneta nos olhos da Águia?
E que submarino melhor que a baleia?
E quem colocou um acelerador no Guepardo?
E apesar da tecnologia
Ser tudo e a Rainha do mundo,
Não há maquinário mais perfeito e belo
Que o corpo humano!
Qual computador imita o cérebro?
Que bomba bate compassada sempre como o coração?
E os rins que filtram o sangue?
Até já temos filtro de ar nos pelos dos narizes...
Que ruas e avenidas que não erram como artérias e veias?
Que fio de telefone se interliga a telepatia.......................
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Onde se conectam os pensamentos e afins?
.........................................................................................
Ah maquinários!
Eu sinto lhes dizer,
mas, até hoje, ninguém fez maquinários mais perfeitos como nós.
(17/10/07)



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